quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Mais Prosa.

Estava olhando agora há pouco minhas anotações e agendas passadas. Além de ter achado tudo muito engraçado, foi intrigante ver a forma com que eu pensava e me expressava.
Também notei que eu era menos preguiçosa, todo dia escrevia coisas, ou eram poemas e frases ou eram fatos e como eu me sentia sobre eles.
Comecei com os famosos diários de cadeado(risos), e depois, com a chegada da tal pré-adolescência, vieram as agendas. Acho que eu escrevia mais do que vivia, e me importava com coisas que hoje, na minha vida, passam despercebidas. D'entre as minhas características em comum com o passado, sobraram: meu eu-lírico dramático, minha vontade de estar em todos os lugares ao mesmo tempo, e a permanente confusão que é a minha cabeça.
Todo o resto ficou para trás, junto com as anotações.
Vendo aquilo tudo, tanto sentimento descrito em palavras e tantos momentos memoráveis, mesmo assim eu não voltaria atrás, de jeito nenhum, para consertar nada. E olhe que estou no meu segundo ano de pré-vestibular, mas mesmo se houvesse a oportunidade de voltar no tempo, nem que fosse para me dedicar mais aos estudos, eu não queria.
No fim das contas, cada coisinha, cada histórinha, por mais curta ou pior que tenha sido,valeu à pena, porque foi justamente isso que fez de mim quem eu sou hoje. E sem a mínima modestia, eu me orgulho muito da pessoa que me tornei.
Reparei que as mudanças foram radicais. Passaram da menina que queria fazer faculdade de direito, ser juíza e prender bandidos, para a garota que tenta pelo segundo ano seguido entrar na UFPE e cursar Ciências Sociais, querendo agora ser professora de sociologia, e que nas horas vagas, brinca de fotógrafa e escreve roteiros.
Se antes dois copos de cerveja me deixavam tonta e com vontade de vômitar, hoje, a tequila, os destilados, e mais cerveja às vezes nem fazem mais ''cossegas''.
De menina que passava horas escrevendo num diário, passei a pôr camisinha na bolsa, aprender o valor do próprio dinheiro, levar uns ''nãos'' e principalmente dizer uns ''sins''.
E para quem antigamente estudava apenas no intuito de ficar na média e passar no colégio, agora eu estudo para mim mesma, e ser alguém na vida... nessa vida onde nada vem de graça.
Quando criança, eu acreditava em príncipes encatados e castelos, e hoje acredito em fins de semana promissores, amigos por perto(e não os ursinhos carinhosos!) e dinheiro no bolso.
É, depois de tanta leitura nostálgica, cheguei à conclusão de que ainda não vivi quase nada em comparação ao que me espera, e contudo(ou com a falta de tudo) eu sou esquisitamente feliz, na medida do possível e dentro dos parâmetros do que se pode chamar de felicidade.


- Camylla Moury.

2 comentários:

  1. pooow, adorei! muito fofo! não, eu nunca passei pelos diários de cadeado, comecei com as agendas mesmo aos onze anos! ainda tenho algumas, uns anos chatos eu joguei fora :P a gente pode convocar umas amigas e fazer um chá de agendas! \o/ q é que tu acha?

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  2. Eu também tive vários diários, agendas...
    Hoje, uso a mente e pequenos bilhetes para organizar minha vida. Escrevo no computador ou em folhas soltas nos meus armários momentos simples e felizes do dia-a-dia...
    Sou feliz com minhas conquistas passadas. Também acredito que não mudaria nada na minha vida... Sou parte de tudo isso.


    Beijos...

    PS: Adoro te conhecer por seus olhos.

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